terça-feira, Abril 22, 2014

LER NÃO É LER É

A 23 de abril celebra-se o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. Este dia é uma luz acesa  na escuridão dos dias.

 


LER NÃO É LER É

Ler não é tempo perdido
Ler não é anguloso sorriso
Ler não é estar preso
Ler não é solidão
Ler não é janela fechada
Ler não é 
Escuridão
Ler não é não ler
Ler é asas de condor
Astro
Silex
E no caso de
Qualquer coisa
Ânsia
Ler é viver.

Hughes Rivers, Correspondência da Memória

     Como Rivers bem o demonstra, é difícil exprimir o sortilégio da leitura e a servidão do que representa  não ler.

       Dia de Ler, 23 de abril. E o resto é conversa...


                                                    UMA DATA DE ESCRITORES...

A UNESCO instituiu em 1995 o Dia Mundial do LivroE escolheu o dia 23 de abril porque...

A 23 de abril (de 1616) faleceu Miguel de Cervantes.
A 23 de abril (de 1899) nasceu Vladimir Nabokov.
A 23 de abril (de 1564) nasceu o escritor inglês William Shakespeare, tendo falecido
A 23 de abril (de 1616).



segunda-feira, Março 24, 2014

LER NA SEMANA MAIS BIBLIÓFILA DO ANO



Decorreu de 17 a 21 de março a Semana da(s) Leitura(s) 2014, subordinada ao tema A Língua Portuguesa, comemorando-se assim os 800 anos do primeiros textos escritos em português de que há conhecimento – Testamento de D. Afonso II (1214), Notícia dos Fiadores (1175) e outros documentos dessa época.
A língua portuguesa é hoje língua oficial de oito países com matrizes culturais muito diversas e inseridos em contextos geográficos e políticos muito diferentes. Diversa foi também a forma encontrada no agrupamento para a celebrar.

Leituras (estiveram) no AR

Associando-se à proposta do GTC de Tomar, foram lidos por elementos da nossa comunidade educativa, textos de autores ribatejanos ou de autores que evocaram a belíssima região do Ribatejo, numa colaboração com a Rádio Hertz, que efetuou as gravações e as retransmitiu.

Leitura em Família

A coordenadora interconcelhia da RBE, Dr.ª Graça Barão, evocou, na palestra Ler em Família realizada no dia 17 de março, realizada na Escola Básica 2,3 D. Nuno Álvares Pereira a importância de leitura, desde a mais tenra idade, propondo aos pais e encarregados de educação várias propostas de leitura.

Olimpíadas de Português

No dia 19 de março, alunos do agrupamento, numa prova realizada na Escola Básica 2,3 D. Nuno Álvares Pereira, demonstraram que conheciam bem o luso idioma.

Arquipélago de Leituras

Ao longo da semana, foram lidos textos de autores do mundo da lusofonia em vários espaços da escola.

Concurso de Declamação de Poesia

A poesia e os autores portugueses foram reis num concurso de declamação que desenvolve a competência oral dos participantes. Houve também, no dia 21 de março, a celebração da Poesia no dia mundial que lhe é dedicado, na biblioteca da Escola Sec./3º Ciclo Santa Maria do Olival.

Feiras do Livro

Promovidas pelas bibliotecas escolares, em parceria com a Papelaria Nova e a Editora Leya, decorreram feiras do livro, de modo a promover o contacto com o livro e o gosto pela leitura.

Encontros com escritores

Os escritores Sérgio Luís de Carvalho e Manuela Ribeiro visitaram o agrupamento, tendo ambos evocado para várias turmas como nasce a vontade de escrever histórias.

Patronos de bibliotecas escolares

Esteve patente na Escola Sec./3º Ciclo Santa Maria do Olival uma interessantíssima exposição de cartazes referente a patronos de bibliotecas escolares. Lá se encontraram, entre muitos outros escritores, referências a Pedro Seromenho e Lídia Jorge, os dois escritores que deram o seu nome a duas bibliotecas do agrupamento.

Leituras de pais

E, para terminar, expressamos o nosso agradecimento a todos os pais e encarregados de educação, que, de forma voluntária, se prestaram a ler para os alunos, em diversas salas de aula das escolas ou nas bibliotecas do agrupamento.


Assim, ao longo da Semana da Leitura, demonstrou-se que é fácil promover o gosto pela leitura, pelos livros e pelos bons autores, junto dos alunos. Já leu um livro hoje?

quarta-feira, Março 05, 2014

A SEMANA DA LEITURA 2014 - TAPETE VERMELHO PARA A LUSA LÍNGUA!

     
      Vai já na sua 8ª edição... A Semana da Leitura! Em 2014, decorrerá de 17 a 21 de março. Abraçou uma vasta temática, oceánica até: a Língua Portuguesa.
      Com efeito, celebram-se 800 anos volvidos sobre os primeiros textos escritos em português de que há conhecimento.

     A lusa língua é portanto uma velha senhora, matreira, aventureira. Uma velhota que provou todos os paladares do mundo, que conheceu todos os climas, todos os povos. Para Fernando Pessoa, a língua era a sua pátria. O que ele não tenha dito, talvez, é que a pátria da língua portuguesa não é Portugal, é o mundo.
     Rica de um passado extraordinário, espero que a Língua Portuguesa nos sirva para dizer e escrever um futuro igualmente fantástico. Em palavras existimos.



    No nosso agrupamento, iremos evocar grandes autores da nossa língua  que nasceram na região do Ribatejo ou autores que referiram o Ribatejo, a sua cultura, as suas paisagens e as suas gentes, em  textos que escreveram.
      Língua universal também. Língua mar, que uniu culturas... Língua para dizer, ouvir, ler e sentir o mundo. Língua vela. Língua caravela. Língua que é nosso sangue.

      A canção "Língua" de Caetano Veloso é uma homenagem genial, na sua irresistível criatividade, à língua de Camões. Vale a pena ouvir, descobrir, cantar. Como diz Caetano:


"Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões

Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões..."







      Belas leituras portanto (antes, durante e após a Semana da Leitura) !




domingo, Fevereiro 23, 2014

O DIA MUNDIAL DO SONO (um dia irrequieto)


        Aos 75 anos, teremos dormido aproximadamente 25 anos da nossa vida. Vale a pena prestar atenção ao nosso sono, já que ele preenche 1/3 da nossa existência.

     Celebrado anualmente desde 2008, O Dia Mundial do Sono ou "World Sleep Day" é uma comemoração móvel instituída pela WASM "World Association of Sleep Medicine", ou seja, a Associação Mundial de Medicina do Sono, apoiada pela WHO "World Health Organization" ou seja, a OMS  (Organização Mundial da Saúde) com o intuito de alertar as pessoas para os distúrbios do sono.


       O Dia Mundial do Sono celebra-se na 3ª sexta-feira do mês de março, consultar aqui. Mas este irrequieto dia, será assinalado, este ano, no dia 14 de março. Andará o sono a dormir mal?

sexta-feira, Fevereiro 14, 2014

14 de fevereiro, segundo os BEATLES

     
     O Dia de São Valentim está hoje tão descaracterizado, tão acossado a uma lógica comercial - quando até os Beatles já haviam alertado, numa das suas mais belas canções, que "love is one thing that money can't buy..." -, está tão reduzido a patetas "mensagens" de amor tontas e patetas, está tão apalermado numa evocação "halloweenesca" e carnavalesca da data, que a celebração do mais nobre sentimento humano - o amor - está muitas vezes reduzida a comemorações pirosas e a manifestações sentimentalistas e bacocas.

     Que pensaria São Valentim  da atual celebração valentinesca, apequanada e trivial?

     Na sociedade da mudança permanente, do império do fugaz e do efémero, da desvalorização dos projetos de vida e da construção de relações afetivas sólidas, projetadas para o futuro e em que se quer fazer crer que tudo se compra, que tudo tem um preço, já poucos parecem compreender a mensagem dos quatro cavaleiros de Liverpool. É claro que seria possível citar muitos outros cavalçeiros dos sentimentos... mas hoje são eles que recordo, pela urgência que as canções transmitem.

    Por isso proponho, agora, lembrar letras e canções intemporais, que muito nos ensinam, nestes tempos de deriva e de irresponsabilidade sentimental. Ou seja, as paixões não são descartáveis, as pessoas são  importantes. Na maravilhosa e complexa aventura das relações humanas, a paixão não se pode comprar. Pode-se apenas fingir de forma passageira. O amor. esse, não tem preço, porque não se comanda. Acontece. E ainda bem...



Can't buy me love


Can't buy me love, love
Can't buy me love
I'll buy you a diamond ring my friend
If it makes you feel all right
I'll get you anything my friend
If it makes you feel all right
'Cause I don't care too much for money
Money can't buy me love
I'll give you all I've got to give
If you say you love me too
I may not have a lot to give
but what I've got I'll give to you
I don't care too much for money
Money can't buy me love
Can't buy me love
Everybody tells me so
Can't buy me love
No, no, no, no
Say you don't need no diamond rings
And I'll be satisfied
Tell me that you want those kind of things
that money just can't buy
I don't care too much for money
Money can't buy me love
Can't buy me love
Everybody tells me so
Can't buy me love
No, no, no, no
Say you don't need no diamond rings
And I'll be satisfied
Tell me that you want those kind of things
that money just can't buy
I don't care too much for money
Money can't buy me love
Ooh, can't buy me love, love
Can't buy me love, no

     Pois é, o dinheiro não compra o amor, como também não compra a felicidade e a alegria de viver, como está patente nesta outra canção dos Beatles.


She's leaving home



Wenesday morning at five o'clock as the day begins
Silently closing her bedroom door
Leaving the note that she hoped would say more
She goes down the stairs to the kitchen clutching her handkerchief
Quietly turning the backdoor key
Stepping outside she is free.

She (We gave her most of our lives)
is leaving (Sacrificed most of our lives)
home (We gave her everything money could buy)
She's leaving home after living alone
For so many years.

Father snores as his wife gets into her dressing gown
Picks up the letter that's lying there
Standing alone at the top of the stairs
She breaks down and cries to her husband Daddy our baby's gone
Why would she treat us so thoughtlessly
How could she do this to me.

She (We never thought of ourselves)
is leaving (Never a thought for ourselves)
home (We struggled hard all our lives to get by)
She's leaving home after living alone
For so many years.

Friday morning at nine o'clock she is far away
Waiting to keep the appointment she made
Meeting a man from the motor trade.

She (What did we do that was wrong)
is having (We didn't know it was wrong)
fun (Fun is the one thing that money can't buy)
Something inside that was always denied
For so many years.
She's leaving home. Bye, bye


Feliz Dia de São Valentim!


quinta-feira, Janeiro 30, 2014

À descoberta de ARISTIDES de SOUSA MENDES

Hoje, dia 30 de janeiro, no auditório da Escola Básica 2,3 D. Nuno Álvares Pereira, pelas 10h30, vamos assinalar o Dia Escolar da Não-violência e da Paz:




terça-feira, Janeiro 07, 2014

VOAR PARA UM FUTURO DE JUSTIÇA E DE PAZ


De regresso ao blogue, num avião futurista...

No Dia de Reis, apetece-me dar aos Reis Magos, sugestões para novas prendas:


  • A prenda da Paz. Ser só o dia 1, o Dia Mundial da Paz sempre me pareceu redutor. Este ano proponho 365 Dias Mundiais da Paz.
  • A prenda da justiça. Era um bom princípio a pôr em prática, e a partir do qual decorreriam todos os outros valores. É mais difícil ser justo do que ser bom.
  • A prenda do futuro. Nada está adquirido. À medida que a humanidade vai destruindo a sua casa, o planeta Terra, é legítimo querermos um futuro em dádiva.
Para voar no futuro, pode  aqui descobrir propostas fantásticas... num site também ele fantástico e já referido neste blogue.

Bons voos para 2014, são estes os votos deste marinheiro insatisfeito, para todos os seguidores, visitantes regulares ou esporádicos, do Blogue do Capitão Kispo, o blogue da Biblioteca Escolar Pedro Seromenho da Escola Básica 2,3 D. Nuno Álvares Pereira.


Bom ano cientificamente desejado:



Cordialmente,

Capitão Kispo

terça-feira, Dezembro 10, 2013

SÃO 30




Todos os anos repetimos, insistimos, transmitimos, evocamos, recordamos, divulgamos
Os Direitos Humanos.

E, no fim desse dia,
Ficamos com a amarga convicção
De que para o próximo ano...

Teremos de repetir, insistir, transmitir, evocar, recordar, divulgar
Os Direitos Humanos.

Ninguém nos ouve.
Tarefa sem fim.

domingo, Novembro 17, 2013

DIZ-ME ARISTIDES DE SOUSA MENDES




“era verdadeiramente a minha intenção

salvar toda aquela gente"





Diz-me Aristides
Como as palavras
Escritas
Salvam
Dos campos sem sol

Diz-me a força
De um nome assinado
Dez, vinte, trinta mil vezes
De cada vez
Fazendo mais uma vida sorrir

Diz-me este amigo
Como venceu com a luz do seu traço
Numa folha de papel
A dureza do aço
A crueldade
A vil maldade
A tortura
E no fim de uma solitária linha férrea
A morte.


Coragem de um justo! Há na lusa história figuras assim que nos reconciliam com esta condição difícil e contraditória que é  ser português. Aristides de Sousa Mendes tornou-se maior do que o seu destino, devido ao acaso dos acontecimentos.
A sua  biografia parece retirada de um romance. Nasceu a 19 de julho de 1805, em Cabanas de Viriato (Carregal do Sal) perto de Viseu. Advogado de formação, ingressou na carreira diplomática. Foi Cônsul em vários países (Zanzibar, Estados-Unidos, Brasil, Espanha, Luxemburgo, Bélgica...) antes de ser colocado em França, na cidade de Bordéus, onde chega em agosto de 1938.
Extremamente culto, conviveu com personalidades que ficariam para a história, entre outros o Rei Leoplodo da Bélgica, Maeterlink (Prémio Nobel de Literatura) , Albert Einstein (que recebeu em sua casa quando este abandonou a Alemanha, em 1935).

 “Talvez a maior ação de salvamento feita
por uma só pessoa durante o holocausto"
Yehuda Bauer

O ano de 1940 surpreende-o em Bordéus. A Segunda Guerra Mundial já devasta a Europa. Em Portugal, Salazar, receando uma invasão de Hitler, toma posição pelo mais forte e proíbe a emissão de vistos para judeus, apátridas e outros "indesejados".
Contrariando as ordens vindas de Lisboa, Aristides de Sousa Mendes concede milhares de vistos a refugiados judeus.


De regresso a Portugal, Aristides de Sousa Mendes é ele próprio vítima de perseguição. Salazar instaura-lhe um processo disciplinar, na sequência do qual Aristides é afastado da Carreira Diplomática.
Seguem-se anos trágicos em que Aristides de Sousa Mendes é maltratado pelo poder fascista que amordaça Portugal.
Aristides de Sousa Mendes faleceu em 1954, no dia 3 de abril de 1954, na sua casa em Cabanas de Viriato.
Após a sua morte, porém, graças à ação incansável de familiares, amigos, ex-refugiados que salvou, personalidades políticas com visão, a extraordinária figura de Aristides de Sousa Mendes é alvo de um processo de reabilitação internacional, sendo o seu ato humanista reconhecido, a título póstumo, pelas mais altas instâncias internacionais e também pela pátria natal. Seguem-se homenagens e condecorações.
Em abril de 2014 assinalar-se-ão os 60 anos da morte física de um homem justo e corajoso. O seu espírito heróico, esse, jamais falecerá. 


PARA REFLETIR... 

Eis a mensagem que se pode ler na página inicial do site da Fundação Aristides de Sousa Mendes:

Aristides de Sousa Mendes foi um Diplomata português que durante a II Guerra Mundial salvou mais de 30.000 vidas da perseguição Nazi, em 1940, no que é considerado como a maior acção de salvamento empreendida por uma pessoa individual.


A Fundação Aristides de Sousa Mendes foi constituída no ano 2000 com os objectivos de divulgar o Acto de Consciência de Aristides de Sousa Mendes e de desenvolver e executar o projecto de recuperação da casa de família de Sousa Mendes, a Casa do Passal, em Cabanas de Viriato.

Por falta de meios, a Casa do Passal  encontra-se numa situação de ruína iminente.  Através desta página, os interessados podem associar-se ao programa de celebração e divulgação do Acto de Consciência de Aristides de Sousa Mendes e, também, contribuir com os seus donativos para recuperação da Casa do Passal e para a criação de um centro de memória que dignifique e perpetue o seu acto exemplar.



Sobre Aristides de Sousa Mendes




domingo, Novembro 10, 2013

ALBERT CAMUS: ÁVIDO DE SOL, DE LIBERDADE E DE JUSTIÇA



No dia 7 de novembro de 2013, teria feito 100 anos, se ainda fosse vivo.

Albert Camus nasceu a 7 de novembro de 1913, no turbilhão da Primeira Guerra Mundial, debaixo do céu azulado e do sol luminoso da Argélia, então colónia francesa.
O mundo recebeu-o num bairro pobre de Argel. Após uma infância simples e feliz, num bairro popular de Argel, em que gostava de jogar à bola e de nadar nas águas quentes do Mediterrâneo, cedo começou a destacar-se, na escola, pela extraordinária capacidade de escrita.




Um professor de filosofia anteviu acertadamente naquele rapaz ávida de vida e de sol, uma personalidade e um talento excecionais. Tornaram-se amigos. 
Graça a uma bolsa de estudos, formar-se-á em filosofia. Admirava a obra de Dostoievski e de Nietzsche.



Viveu. Escreveu. Por incrível que pareça foi no meio do sol e do céu azul, na proximidade do mar revigorante que Albert Camus teve a intuição do carácter absurdo do mundo e da existência. O romance L'Étranger (1942), onde o protagonista, o enigmático Meursault, vivencia a descoberta do absurdo da existência é só, ainda hoje, o romance mais lido no mundo, estando traduzido em 55 línguas. A vida é simultaneamente luminosa e sombria. Exaltante e atroz. Sol e sombra. Vida e morte. Essa obra já  foi até publicada em banda desenhada.





Albert Camus amava a sua terra natal. Descreveu esses laços de ternura e de paixão.
Viajou pelo interior colonizado da Argélia e não gostou do que viu. Disse-o. 
Foi sempre de uma integridade luminosa, sem condescendências, nem subterfúgios. Foi voz erguida, por vezes isolada, contra todas as formas de injustiça, de sujeição e de alienação do ser humano.
Viu, antes muito antes de muitos que se diziam mais inteligentes e perspicazes, o terror debaixo da capa fina da igualdade.

Veio viver para França, na véspera de uma outra Guerra mundial, desta vez a Segunda. Conheceu toda a gente que era gente intelectualmente famosa, um enxame que rodeava como vespas à volta do filósofo e escritor Jean-Paul Sartre.
Camus detestou Paris. Uma Paris cinzenta e fria, de onde o sol da sua Argélia natal estava ausente.



Camus detestou a matilha de escritores que seguia Sartre. Após uma certa empatia inicial, depressa Camus se sentiu como a ovelha perseguida pela matilha.
Desavenças. Críticas. Incompreensões. Traições. Acusações mútuas. Invejazinhas literárias. O caldo depressa ficou entornado.



Durante a Segunda Guerra Mundial, Albert Camus, ao contrário de outros, nunca abdicou da sua liberdade e das suas convicções. 
Arriscou a sua vida envolvendo-se pessoalmente no movimento da Resistência Francesa, lutando contra a ocupação nazi da França.
Muitos vêem aliás que a peste descrita no romance La Peste (1947) é precisamente uma alegoria do nazismo ou de forma global de todos os regimes repressivos e totalitários.
Após a guerra, foi um dos primeiros a refletir e a rejeitar o terrorismo. Nada justifica a morte de um ser humano, a vida é demasiado preciosa.
Foi um dos primeiros a vislumbrar a falsa liberdade e igualdade dos países comunistas do Leste. Denunciou amargamente o que viu. 
Disse, uma vez mais o que pensava no ensaio L'Homme Révolté (1952). Para Albert Camus, nenhuma forma de violência é legítima.


Sartre e a sua raivosa matilha nunca lhe perdoaram tamanha ousadia. Camus tinha destruído os sonhos de uma geração. Nesses tempos, a ideologia comunista era uma utopia desejada por muitos intelectuais de esquerda, em França. Camus foi, por isso, perseguido, ridicularizado, rebaixado. Perdeu amigos, relações, mas não perdeu a sua autenticidade, nem a sua verdade. 




Albert Camus nunca abdicou da sua integridade e das suas ideias clarividentes.
Mas os golpes tinham sido fortes. Exagerados.
Albert Camus abandonou os lobos parisienses e foi viver para o Sul de França e para o Sol. 
E ajustou contas num romance intenso, forte, lapidar La Chute (1956).
O Prémio Nobel saudou-o em 1957.



O reconhecimento era total. Camus voltou a ganhar confiança. Reencontrou na quente calma soalheira da terra onde vivia no Sul de França, em Lourmarin, a alegria de viver e de escrever.
A situação na Argélia dilacerou este filho do sol. Crimes, bombas, sangue vertido, atrocidades mútuas, quer d parte dos franceses, quer dos árabes, a luta pela independência era violenta. Camus nunca conseguiu optar por um ou outro campo.



Os seus afazeres ditaram que no dia 7 de novembro de 1960 tivesse de deslocar-se a Paris. O seu editor e amigo, Michel Gallimard, ofereceu-lhe boleia até à capital. Camus aceitou.
Quando nesse dia, um automóvel de alta cilindrada embateu violentamente contra uma árvore na beira de uma estrada, o absurdo da existência assinou mais uma trágica página. Camus faleceu tragicamente. Camus tinha 46 anos. A seu lado, dentro de um sacola de pele, o manuscrito de uma obra inacabada, que a sua mulher Francine retranscreveria e a sua filha Catherine publicaria anos mais tarde: Le Premier Homme (1994), um livro de grande e rara beleza no qual Albert Camus evoca a sua infância feliz na sua Argel natal.




Evocar Albert Camus, por ocasião da celebração do centenário do seu nascimento é mais do que uma obrigação. É sobretudo um acto de justiça para com uma personalidade extraordi-nária que nos deixou uma obra diversa, admirável e profunda, de uma riqueza humana incontornável e única. Tremendamente atual. Como todas as obras intemporais, que desvendam a verdade da natureza humana.

Prof.  Hugo Vaz


Albert Camus, o seu pensamento, o seu estilo de grande pureza continuam vivos e acessíveis através de uma obra vasta e multifacetada. Eis alguns títulos essenciais:



- Révolte dans les Asturies (1936) - ensaio

- L'Envers et l'Endroit (1937) - ensaio

- Noces (1939) - ensaios sobre a Argélia

- Le Mythe de Sisyphe (1942) -  ensaio sobre o sentimento absurdo

- L'Étranger (1942) - romance

- Caligula (1941) - teatro

- Le Malentendu (1944) - teatro

- Réflexions sur la Guillotine (1947) - ensaio

- La Peste (1947) - romance

- L'État de siège (1948) - teatro

- Lettres à un ami allemand (1948)

- Les Justes (1949) - teatro

- L'Homme révolté (1951) - ensaio

- L'Été (1954) - ensaio

- La Chute (1956) - romance

- L'Exil et le Royaume (1957) - novelas

- Réflexions sur la peine capitale (1957) - ensaio em colaboração com  Arthur Koestler

- Le Premier Homme (1994) - romance inacabado, publicado postumamente pela sua filha.



Para (re)descobrir Albert Camus:




quinta-feira, Novembro 07, 2013

"DITOSA PÁTRIA QUE TAL FILHO TEVE!"


Luís de Camões não esbanjava louvores. Contudo, após várias referências elogiosas, no Canto Oitavo, estrofe 32, no quinto verso, de Os Lusíadas, o poeta da epopeia lusa não se contém e, referindo-se a D. Nuno Álvares Pereira, exclama: "Ditosa pátria que tal filho teve!"

O mestre do lusitano idioma falou. Pouco mais podemos acrescentar. Resta-nos saborear as aliterações em "t", peremptórias, definitivas, ecos de glória. Nunca "tal" me soou tão bem!

Eis a estrofe 32:

«Se quem com tanto esforço em Deus se atreve
Ouvir quiseres como se nomeia,
«Português Cipião» chamar-se deve;
Mas mais de «Dom Nuno Álvares» se arreia.
Ditosa pátria que tal filho teve!
Mas antes, pai! que, enquanto o Sol rodeia
Este globo de Ceres e Neptuno,
Sempre suspirará por tal aluno.



No dia 1 de novembro de 1431, o ilustre Condestável falecia, na cidade de Lisboa, passando a viver na memória de um povo que tanto lhe deve.

Um dia, a 26 de abril de 2009, D. Nuno Álvares Pereira foi declarado santo pelo papa Bento XVI

terça-feira, Outubro 29, 2013

NOTÍCIAS DE NUNO ÁLVARES PEREIRA



Não é todos os dias que podemos influenciar um orçamento municipal.

O de Lisboa, podemos. Neste caso, para apoiar a edificação de uma estátua de D. Nuno Álvares Pereira, o maior herói português, em Lisboa.

Aqui é possível aceder a mais informação sobre esta iniciativa:

http://o-povo.blogspot.pt/2013/10/estatua-de-s-nuno-de-santa-maria-no_19.html

Aqui podemos participar diretamente, através deste link:

http://www.lisboaparticipa.pt/

Atenção, a participação requer registo no site Lisboa Participa.

domingo, Outubro 27, 2013

LOU REED LIKE A BLACK STAR


A notícia surpreende sempre. Lou Reed, a estrela negra do rock deixou de brilhar nesta terra.
O outono, hoje, escorregou de castanho para preto.

2 de março de 1942 - 27 de outubro de 2013, Lou Reed.

Uma geração de sonhos desapareceu na pessoa deste guitarrista, cantor, autor compositor da cidade de Nova Iorque triste, com esquinas de miséria, de solidão e de desespero. Uma guitarra de negra sonoridade pintava de escuridão a alma.

A música insinuante, invasiva, obsessiva permanece(rá). Assim quero pensar. 

Que venham agora, Lou, só dias perfeitos.

Lou Reed - Perfect Day


quinta-feira, Outubro 24, 2013

DA BIBLIOTECA PARA O MUNDO




Outubro traz de volta memórias antigas. A chuva e o vento por cima de nós se abatem, com uma avidez castigadora.

Tenho saudades das histórias da minha avó, eternamente jovem e bonita, que me sentava ao seu colo macio. Nunca a língua portuguesa me soou tão intensamente. Com um sabor tão encantador.
Guardei a memória dos sons. Guardei as palavras lusitanas nos ouvidos brilhantes de espanto.

Numa casa sem livros, a minha avó foi a minha primeira biblioteca. 
Naquela aldeia pobre, de rochedos tortos, dilacerados e de oliveiras rebeldes, foi com a minha avó que efetuei as primeiras viagens pelo mundo das palavras e da imaginação.

Cresci. E era já, sem o saber, um espírito viajante, irrequieto, inconformado e liberto.
Todas as viagens, que depois realizei, nasceram ao ouvir as histórias da minha avó, olhando o mundo pela janela fechada da sala de estar, com o mesmo encanto e deslumbramento que, anos mais tarde, o admirei pela janela dos automóveis, dos aviões e dos navios.
Se naveguei pelo mundo como cidadão do mundo, devo-o a biblioteca oral da minha avó.
Devo reconhecer que, ainda hoje, volto a consultar, quando o desencanto da vida pinta de cinzento o horizonte fechado, a sabedoria dos ditados populares e das histórias verídicas que a minha avó Constância contava com deleite.

É então que, revisitando a biblioteca da minha infância, com prateleiras de sabedoria ancestral, que volta a coragem para navegar nos mares da existência.

É dos mais belos motes até hoje apresentado pela IASL para celebrar, em 2013, o MÊS INTERNACIONAL DA BIBLIOTECA ESCOLAR :


Por isso as Bibliotecas estão de portas abertas...

No mês que lhe é consagrado, o dia 28 de outubro é o dia em que se concentram as atividades da tua Biblioteca Escolar Pedro Seromenho. Está atento... a magia da palavra vai acontecer!

Com amizade,

Capitão Kispo

domingo, Outubro 06, 2013

ESPALHEM A (FANTÁSTICA) NOTÍCIA!

PEDRO SEROMENHO BRINDA-NOS 
COM UM NOVO LIVRO
COM LANÇAMENTO PREVISTO PARA
DIA 1 de NOVEMBRO!



É OFICIAL... O "nosso" escritor, que apadrinha a Biblioteca Escolar da Escola Básica 2,3 D. Nuno Álvares Pereira, vai publicar um livro novo.

Eis a mensagem que o Capitão Kispo recebeu da Editora Paleta de Letras, de Pedro Seromenho:

 Olá!

Informamos que o escritor e ilustrador Pedro Seromenho tem um novo livro infantil intitulado "PEA - uma aventura no sistema digestivo" para alunos do 1.º ciclo. A história,ilustrada pela criativa Patrícia Figueiredo, conta a divertida aventura de uma ervilha que, por estar cansada da vida, decidiu ser engolida e viajar pelo sistema digestivo!
[...] este livro estará pronto no dia 1 de Novembro,(...).

Ora aqui está uma boa notícia!