quarta-feira, janeiro 28, 2015

SEMANA DA LEITURA 2015 (16 a 20 março)



 

Apromixa-se a realização da 9.ª edição da Semana da leitura, que por sugestão do PLANO NACIONAL DE LEITURA, decorrerá de 16 a 20 de março de 2015. 

Assim, este evento "convida as escolas e os agrupamentos de escolas a celebrarem, com as crianças, os jovens, os adultos e a comunidade em geral, a leitura e os livros.
Juntem-se a nós e venham conviver e divertir-se com as «Palavras do Mundo», entre 16 e 20 março de 2015.
Esta iniciativa, em que se assume o prazer de ler, constitui-se já como um marco em que a leitura salta para a festa da criatividade, da inovação e da pluralidade patenteadas por todos os que continuadamente se envolvem neste desafio.

O envolvimento de todos acaba, também, por mobilizar  diferentes literacias e abordagens de temáticas diversificadas e atuais , relevantes para o exercício de uma cidadania consciente e participativa.
Nesta edição, convoca-se a criatividade e a originalidade na exploração da palavra (dita, escrita, lida ou cantada, …), testemunho da diversidade cultural, social, histórica e estética presente nas representações intemporais e universais da pluralidade da humanidade no nosso Mundo global e inclusivo.



Com vem sendo hábito, no âmbito da Semana da Leitura, será promovido um Concurso que, mais uma vez, apelará à imaginação e a um conjunto de competências muito diversificado convocadas pela presença da leitura numa perspetiva de  transversalidade curricular, e que se centrará  no tema «Palavras do Mundo» (Regulamento a divulgar em setembro de 2014)."

BELAS LEITURAS!

terça-feira, janeiro 27, 2015

QUANDO AS PALAVRAS CHORAM, DIZEM AUSCHWITZ...

 

Hoje, as palavras choram. Há dias assim em que nem o sol distila alegria. O sol pode ser negro, porque vemos o mundo como somos e como nos vemos. E, hoje, transporto negros pensamentos cravados na alma.

Há aniversários tristes, azedos, secos como fontes. Aniversários que nos provocam arrepios frios nos ossos. Hoje, nem o sol aquece. Nem a música consola. Nem os livros me chamam.

Um vento cinzento sopra. Haverá cicatrização possível, mesmo 70 anos depois do inferno?

O gigantesco complexo dos campos da morte de Auschwitz foi libertado há precisamente 70 anos, no dia 27 de janeiro de 1945.

70 anos... Uma vida.

As palavras choram, depois de Auschwitz. As palavras choram. A Shoah sugou a vida de 6 milhões de judeus, homens, mulheres, crianças...
Mas, depois da bárbarie nazi, a bárbarie continuou, repetiu-se, vestindo outras fardas, usando outros nomes, outros motivos, outros preconceitos. Depois da Shoah, houve mais genocídios, mais massacres, mais sinais do mal exercido por grupos humanos contra outros grupos humanos.
Por isso, o maior perigo é o esquecimento. O esquecimento é imperdoável.
Depois de Auschwitz, está provado que Auschwitz voltou a acontecer, de outras formas, com outra dimensão, noutros continentes, com outras vítimas inocentes, em sofrimentos gritados noutras línguas.  
E isso é insuportável, porque parece que nunca mais aprendemos com os exemplos do passado. Porque é que o ser humano não consegue erguer barreiras contra a bárbarie e o ódio ao outro? O que é que falha?

Treblinka, Auschwitz, Sobibor, Dachau, Buchenwald... Nós não esquecemos a gigantesca teia da morte nazi, tecida implacavel e conscientemente durante a 2ª Guerra Mundial.

Houve 200 000 pessoas envolvidas na "Solução Final" idealizada pelas chefias nazis. Conseguiram assassinar 6 milhões. E não foram só os nazis que trabalharam neste infámio labor... E não foram só os judeus os alvos do desprezo e do ódio nazis, embora tenham sido eles os mais atingidos.

Como é digna de admiração, nesse trágico contexto, a ação, a coragem, a dedicação dos justos (são cerca de 28 000 Justos reconhecidos pelo Estado de Israel - como esse número parece frágil, demasiado frágil!) que ousaram, tal como o cônsul português Aristides de Sousa Mendes, abrigar, proteger, salvar judeus perseguidos pelo ódio, pelo medo, pelo terror e pela morte.

Auschwitz aconteceu. Depois, outros genócídios aconteceram ao longo do século XX. Devemos estar extremamente vigilantes. Sabemos demasiado bem que o ódio e a violência depressa encontram novos alvos.

Se não forem construídas pontes entre povos e comunidades diferentes, entre raças e religiões, Auschwitz pode voltar a acontecer, como disse a investigadora Esther Mucznik, numa entrevista concedida à Revista Expresso, na Edição 2204, de 24 de janeiro 2015, a propósito do seu livro  Auschwitz um dia de cada vez : "Auschwitz é uma virtualidade da nossa civilização, pode voltar a acontecer." Permaneçamos vigilantes, portanto.
                                                                                                                         
Esther Mucznik

  Dois livros de Esther Mucznick sobre o Holocausto





Descobrir mais sobre o Holocausto




segunda-feira, janeiro 26, 2015

EM 2015, FAÇA-SE LUZ!


O estado normal do céu é a noite.
Vítor Hugo

Ora aí está um ano novo bem interessante... Com efeito, todo ele é dedicado à LUZ. 

A ONU teve a excelente ideia de designar o ano de 2015 ANO INTERNACIONAL DA LUZ. Mas não foi por acaso. Com tanta luz a brilhar ao longo este ano, seria ótimo que as celebrações pudessem contribuir para permitir à comunidade humana encontrar novos caminhos, novas formas de estar no mundo, se quiser deixar às novas gerações um planeta onde seja possível viver.
Viver não só em paz, em jutiça, em tolerância, em convívio uns  com os outros, e também com as retantes espécies que nos acompanham nesta fugaz passagem a que chamamos "vida". Haja Luz, portanto!


O Ano Internacional da Luz é uma iniciativa global que visa sensibilizar os cidadãos em todo o mundo para a importância, na sua vida diária, da luz e das tecnologias que lhe estão associadas, tais como a ótica. Luz e tecnologia participam plenamente no desenvolvimento da sociedade. Esta é uma oportunidade única para inspirar, educar e conectar-se ao mundo. 

Assim, a 20 de dezembro de 2013, a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) proclamou 2015 como o Ano Internacional da Luz e das Tecnologias Associadas à Luz. De facto, a ciencia vai estar em festa ao lngo de todo o ano de 2015. Ora vejamos...



Em 2015, celebram-se  os aniversários de uma série de eventos importantes na história da ciência da luz:


  • Os trabalhos no domínio da ótica de Ibn Al-Haytham, em 1015;














  •  a teoria ondulatória da luz por Fresnel em 1815;


 





















  • a teoria eletromagnética da propagação da luz, avançado por Maxwell, em 1865;







  







James Clerk Maxwell
(1831-1879)                                                                    A luz solar leva 8 minutos até chegar à Terra.



  • as teorias de Einstein sobre o efeito fotoelétrico em 1905 e sobre a relação entre  luz e cosmologia evidenciado pela relatividade geral em 1915;


  •  e a descoberta da radiação cósmica de fundo por Penzias e Wilson, bem como o trabalho de Kao sobre a transmissão de luz em fibras para comunicação ótica, em 1965.







Com tantos e tão geniais padrinhos, o ano de 2015 só pode ser mesmo a Festa da Luz! 


Mais Luz

James Clerk Maxwell

Associação Ótica

quarta-feira, dezembro 17, 2014

USAR BEM UM MOTOR DE PESQUISA

     Umberto Eco alerta-nos para os perigos de um utilização acrítica e exclusiva da informação apresentada pelos motores de pesquisa na Internet. Ele  afirma que "O Google é uma tragédia para os jovens". Refere-se à utilização do Google, mas podemos extender o seu comentário a todo e qualquer motor de pesquisa, em geral. 
      Não é culpa do Google. Os resultados de uma pesquisa são o fruto de uma seleção do algaritmo criado que gere a busca. A veracidade ou exatidão da informação contida nos sites apresentados não é equacionada. Por conseguinte, a pesquisa em diversas fontes de informação, quer nas páginas da Web, quer nos tradicionais suportes de papel, dicionários e enciclopédias, é sempre uma garantia para o utilizador, no sentido de encontrar dados corretos.
      Para quem procura, a diversidade das fontes de informação, o cruzamento da informação encontrada e a leitura crítica dos dados fornecidos representam indubitavelmente uma garantia de veracidade e de correção dos factos e dados pesquisados. Como em muitas outras coisas na vida, não se deve pôr todos os ovos no mesmo saco. E esta atitude também se ensina.
   

"(...) O Google cria uma lista, mas no momento em que olho para a lista que o Google gerou, ela já mudou. Essas listas podem ser perigosas - não para os adultos como eu, que adquiriram conhecimento de outro modo -, mas para os jovens, para quem o Google é uma tragédia. As escolas deveriam ensinar a arte da discriminação. (...). A educação deveria regressar às estratégias das oficinas da Renascença. Aí, os mestres podiam não ser capazes de explicar aos alunos por que razão uma pintura era boa em termos teóricos, mas faziam-no de maneiras mais práticas. Olha, isto é o aspecto que o teu dedo pode ter e este é aquele que deve ter. Olha, esta é uma boa combinação de cores. A mesma abordagem deveria ser utilizada nas escolas quando se lida com a internet. O professor deveria dizer: "Escolham qualquer assunto: a história da Alemanha ou a vida das formigas. Pesquisem em 25 páginas web diferentes, comparando-as, e tentem descobrir qual tem informação importante e pertinente". Se dez páginas disserem a mesma coisa, pode ser sinal de que essa informação está correcta. Mas isso também pode acontecer porque alguns sites se limitaram a copiar os erros dos outros. (...)"

Umberto Eco 

P.S. Agradeço à Cristina esta partilha, que dá muito que pensar... muito mesmo...
                                                                                                             
                                                                                                                 Capitão Kispo