quinta-feira, janeiro 06, 2011

AO CALOR DAS JANEIRAS

     

     Em Portugal, as Janeiras ou cantar as Janeiras são uma das mais belas tradições que povoam a memória do Capitão Kispo.
     Quando, na sua juventude, no início do ano, já pela noite dentro, batia à porta da sua casa um grupo alegre com guitarras, pandeireta, acordeão, flauta, bombo e ferrinhos, que passeava pelas ruas da nossa aldeia, cantando de porta em porta e desejando às pessoas um Feliz Ano Novo.
     Cantavam. Na fria noite de Janeiro a casa enchia-se de calor humano, de alegria, de risos. Trocavam-se cumprimentos. O pai do Capitão Kispo oferecia a todos o que havia em casa: pão caseiro, presunto, queijo e vinho.
    E o grupo de cantores improvisado deixava a nossa casa, continuando o seu périplo pela pequena aldeia, como se fossem Reis Magos caminhando na noite.



     Origem desta tradição

     Janeiro é o primeiro mês do ano, era o mês do deus romano  Jano, o deus das portas e da entrada. Era o porteiro dos Céus. Era muito importante para os romanos que esperavam a sua protecção, por exemplo para afastar das casas os espiritos maus, e era particularmente invocado no mês de Janeiro.
     Os romanos também tinham o hábito de se saudarem em sua honra na altura em que se iniciava um novo ano. Esses hábitos muito antigos originaram as Janeiras. O Cristianismo adaptou-a acrescentando-lhe os autos pastoris que evocam a cena do nascimento de Jesus e episódios a ele ligados. Cantam-se as Janeiras normalmente no dia 6 de Janeiro (dia de Reis), mas também pode prolongar-se por outros dias.



Sugestão do Kispo

José Afonso canta "O Natal dos simples"


Letra

Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas solteiras

Vamos cantar orvalhadas
Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas casadas

Vira o vento e muda a sorte
Vira o vento e muda a sorte
Por aqueles olivais perdidos
Foi-se embora o vento norte

Muita neve cai na serra
Muita neve cai na serra
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra

Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza

Já nos cansa esta lonjura
Já nos cansa esta lonjura
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à ventura

Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas solteiras

Vamos cantar orvalhadas
Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas casadas


Bom Ano 2011 a todos!

Sem comentários:

Enviar um comentário